Ninguém Sabe Coisa Alguma
Porque nós não sabemos, pois não? Toda a gente sabe.
O que faz as coisas acontecerem da maneira que acontecem? O que está
subjacente á anarquia da sequência dos acontecimentos, às incertezas,
às contrariedades, à desunião, às irregularidades chocantes que definem
os assuntos humanos? Ninguém sabe, professora Roux. «Toda a
gente sabe» é a invocação do lugar-comum e o inimigo da banalização da
experiência, e o que se torna tão insuportável é a solenidade e a noção
da autoridade que as pessoas sentem quando exprimem o lugar-comum. O
que nós sabemos é que, de um modo que não tem nada de lugar-comum,
ninguém sabe coisa nenhuma. Não podemos saber nada. Mesmo as coisas que sabemos,
não as sabemos. Intenção? Motivo? Consequência? Significado? É
espantosa a quantidade de coisas que não sabemos. E mais espantoso
ainda é o que passa por saber.
Philip Roth, in "A Mancha Humana"
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A humanidade não se divide em heróis e tiranos. As suas paixões, boas e más, foram-lhe dadas pela sociedade, não pela natureza
Charles Chaplin
Inglaterra
[1889-1977]
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A Importância da Autoridade
É
inútil alongar-me demoradamente sobre a importância da autoridade. São
muito poucas as pessoas civilizadas capazes de uma existência
perfeitamente autónoma ou tão-só de juízo independente. Não nos é
possível representar em toda a sua amplitude a necessidade de
autoridade e a fraqueza interior dos seres humanos.
Sigmund Freud, in 'As Palavras de Freud'
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Decisão, Desejo e Acção
A
decisão é, na verdade, o que de mais próprio concerne a excelência e é
melhor do que as próprias acções no que respeita à avaliação dos
carácteres humanos. A decisão parece, pois, ser voluntária. Decidir e
agir voluntariamente não é, contudo, a mesma coisa, pois, a acção
voluntária é um fenómeno mais abrangente. É por essa razão que ainda
que tanto as crianças como os outros seres vivos possam participar na
acção voluntária, não podem, contudo, participar na decisão. Também
dizemos que as acções voluntárias dão-se subitamente, mas não assim de
acordo com uma decisão.
Os que dizem que a decisão é um desejo, ou uma afecção, ou anseio,
ou uma certa opinião, não parecem dizê-lo correctamente, porque os
animais irracionais não tomam parte nela. Por outro lado, quem não tem
autodomínio age cedendo ao desejo, e, desse modo, não age de acordo com
uma decisão. Finalmente, quem tem autodomínio age, ao tomar uma
decisão, mas não age, ao sentir um desejo.
Um desejo pode opor-se a uma decisão, mas já não poderá opor-se a
um outro desejo. O desejo tem em vista o que é agradável e o que é
desagradável. A decisão, contudo, não é feita em vista do desagradável
nem do agradável.
Aristóteles, in 'Ética a Nicómaco'
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Modificado em 16/10/2009